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terça-feira, 5 de julho de 2011

Prosa de boteco das antigas lá do interior

Vou contar uma prosinha de boteco lá das bandas de Amoreira ... Na época que boteco era venda e o petisco era mortadela. Como se estivesse por lá!

Eita hora boa, a conversa a fiar.

Me lembra outrora tempo,

de meu avô na venda a prosear.

Me de cá uma mortadela e uma pinguinha pra molha a goela!

Pra mode a prosa fiar...

Assente seu doutor e vamos prosear .

Contando as novidades da famosa capitár!

Diz que lá têm um trem que voa que parece o sabiá !

Mas eu num to a acreditar...

Diz verdade ser seu doutor, muitas coisas tem por lá.

Mas não tem uma boa prosa como aqui no boteco a fiar!!

E vou pintando na aquarela aquela venda amarela, com seu balcão de madeira velha e, meu avô encostado lá... Com seu sorriso cor de ouro, a guaiaca e a bombacha, fazendo seu cigarro de palha deixando o tempo passar e, sorrindo só pensa em prosear!

Rê.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Informações

São Paulo gradua primeira turma só de professores índios

por wanessaÚltima modificação 15/10/2008 13:09

Fonte: Folha de São Paulo

Oitenta e um professores índios receberam nesta segunda-feira, em cerimônia realizada em São Paulo, o diploma de graduação em pedagogia. De acordo com a Secretaria de Estado da Educação, eles compõem a primeira turma só deindígenas já formada por uma escola de ensino superior do país.


Segundo a pasta, todos os formandos já trabalham em escolas instaladas em alguma das 30 existentes no Estado, ministrando aulas para alunos até da 4ª série do ensino fundamental.

Em uma iniciativa do governo paulista e da USP (Universidade de São Paulo), eles foram selecionados e graduados para que possam, agora, ministrar aulas para estudantes da 5ª à 8ª série e também do ensino médio.

Exigências do MEC (Ministério da Educação) obrigam que professores de alunos além da 4ª série tenham a chamada licenciatura plena. Já uma lei vigente no Estado de São Paulo proíbe que professores não-índios dêem aulas em escolas de aldeias. Por isso, a necessidade de graduar os professores indígenas.

Vivem no Estado cinco etnias indígenas: Guarani, Tupi-Guarani, Terena, Kaingang e Krenak. Cerca de 1.500 índios estudam em escolas instaladas em tribos, segundo a secretaria.

Etnias Indígenas Brasileiras

BALDUS ENTRE OS TAPIRAPÉS O antropólogo Herbert Baldus entre os Tapirapés relatou: “Em junho de 1935 , sua difícil jornada subindo o rio Araguaia até uma aldeia dos índios tapirapés. Cento e trinta indivíduos de uma tribo tupi moravam lá, 60 masculinos e 61 femininos. Até então esta etnia não tinha sido estudada por nenhum etnólogo. As comparações da cultura espiritual e material dos Tapirapés com o que nos foi relatado pelos antigos autores sobre as populações tupi da costa brasileira no século XVI e XVII, põe fora de dúvida que os habitantes de Tampiitáu são parentes chegados dos tupi. A. Métraux tinha objetado tal parentesco a partir de análise lingüística de um tipo de banana esquecendo, porém que havia umtermo geral para bananas, mas a banana brava e outras seis qualidades cultivadas recebiam nomes diferentes. Metraux tentou fazer analogias com o termo para banana dos Karajá cuja língua continua isolada das demais. Quando perguntei aos Tapirapé como se chamam a si mesmos, em conjunto, recebi a resposta: “Ampiáuã” [palavra que significa “varão” no tupi do Amazonas]. Tupi.

Trecho de Hamlet - William Shakespeare

"Duvida da luz dos astros, de que o Sol tenha calor, duvida até da verdade, mas confia em meu amor."

Comentários de textos Filosóficos Apologia de Sócrrates

Amor é compromisso com algo mais terrível do que o amor?(...) (Poema: Mineração do Outro – Carlos Drummmond de Andrade) Um texto escrito por Platão citando um outro filósofo paradigmático e, que independentemente de ter sido historicamente real, é tão real quanto a força dramática do trecho do poema de Drummond de Andrade transcrito acima. Em primeiro lugar não custa repetir os traços elegantes, fortes e dramáticos da Apologia. Eu encerraria aqui qualquer pretensão de comentário, se o texto se apresentasse apenas como um poema. Mas, sem deixar de ser poema de feição apaixonada é também uma elaboração filosófica e é, sobretudo um repto. Senão vejamos: Qual a essência da “Apologia”? – De uma forma quase grosseira, diria que a obra é um libelo em defesada Verdade. Mas de que verdade estamos falando, uma vez que esta verdade é um compromisso com uma coerência, daquilo que Sócrates tinha como mais valioso que a própria vida. A Verdade pode ser terrível? Sem dúvida e, nesta medida, ela chega ser “não humana”; ela é divina. É uma medida da dimensão absoluta de Deus, assim como acreditava Sócrates. Sendo acusado de corromper os jovens e de ateísmo, Sócrates é levado ajulgamento e finalmente, condenado à morte. Na Apologia Platão pretende reproduzir a defesa de Sócrates perante seus acusadores e sua postura perante a sentença. Para Sócrates, ao acusá-lo, seus juizes praticavam um ato ignóbil, injusto e maldoso. Cabia a Sócrates através dos seus argumentos impedir seus juizes de cometer uma maldade; esta era o sentido de sua defesa. Sócrates não receava sua condenação; mas sendo condenado, não teria sido capaz de impedir os seus juizes de alcançar a verdade. Mesmo esta nova afirmativa em face do próprio discurso da Apologia revela alguns paradoxos: em todo o texto há um sentido de predestinação e fatalidade. Sócrates esperava ser condenado. É como se ele soubesse que estava jogando um jogo de cartas marcadas. Mas sendo assim porque o tamanho empenho na sua defesa? Arriscamos a dizer que seu compromisso com a verdade obrigava-o a esta defesa, ainda que seu desfecho já fosse esperado. O singular é que Sócrates é citado como um marco no surgimento deste período da filosofia, que identificará na introspecção o caminho do conhecimento. A expressão “conhece-te a ti mesmo”, tornou-se a divisa deste filósofo. “Por fazer do autoconhecimento ou do conhecimento que os homens têm de si mesmos a condição de todos os outros conhecimentos verdadeiros, é que o período socrático é antropológico”. A leitura à Apologia de Sócrates é tão sedutora, que uma pequena pesquisa mostra outras visões sobre o mesmo assunto. E é claro que estas opiniões se multiplicam. Em um texto da professora Marilene Chauí (in Convite à Filosofia) ela assim se expressa sobre a Apologia: “(...) Para os poderosos de Atenas, Sócrates tornara-se um perigo, pois fazia a juventude pensar. Por isso, eles o acusaram de desrespeitar os deuses, corromper os jovens e violar as leis. Levado perante a assembléia, Sócrates não se defendeu e foi condenado a tomar um veneno – a cicuta – e obrigado a suicidar-se. Por que Sócrates não se defendeu? “Porque”, dizia ele, “se eu me defender, estarei aceitando as acusações, e eu não as aceito. Se eu me defender, o que os juízes vão exigir de mim? Que eu pare de filosofar. Mas eu prefiro a morte a ter que renunciar à Filosofia”.O julgamento e a morte de Sócrates são narrados por Platão numa obra intitulada Apologia de Sócrates, isto é, a defesa de Sócrates, feita por seus discípulos, contra Atenas.(...)” Como já dissemos e, ao contrário do que diz a professora Chauí, Sócrates faz a sua defesa: ele precisava fazê-la. Não para alterar o resultado de um julgamento que ele já antevia o resultado, mas como um compromisso com a maieutica: é preciso manter o compromisso de dar à luz à verdade. Aqui vemos a figura de um arquétipo: o Sócrates Herói, aquele que se despoja da própria vida parasalvar valores universais.

Uma passagem do livro Pequeno Príncipe

O Pequeno Príncipe
Antoine de Saint-Exupéry

(...) "E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia - disse a raposa.
- Bom dia - respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui - disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? - perguntou o principezinho.
- Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa - disse a raposa.
- Vem brincar comigo - propôs o princípe

- estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo - disse a raposa. - Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa - disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui - disse a raposa. - Que procuras?
- Procuro amigos - disse. - Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida - disse a raposa. - Significa "criar laços"...
- Criar laços?
- Exatamente. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessiddade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...
Mas a raposa voltou a sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! - disse ela.
- Bem quisera - disse o principe - mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou - disse a raposa. - Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
- Os homens esqueceram a verdade - disse a raposa. - Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."